Caracterização de agentes de saúde que atendem populações ribeirinhas do Brasil e os desafios nos processos de trabalho na APS : uma análise a partir do Programa Saúde com Agente
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Data
2024Orientador
Nível acadêmico
Mestrado
Tipo
Assunto
Resumo
Introdução: Dissertação desenvolvida a partir da execução do Programa Saúde com Agente (PSA), que ofertou formação técnica para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) em todo o país. A ênfase da pesquisa é a produção de conhecimentos sobre os agentes de saúde que atendem populações predominantemente ribeirinhas e os desafios nos processos de trabalho - um trabalho com muitas especificidades, cuja produção de cuidado é desafiada, cotidianamente, pelos ciclos d ...
Introdução: Dissertação desenvolvida a partir da execução do Programa Saúde com Agente (PSA), que ofertou formação técnica para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) em todo o país. A ênfase da pesquisa é a produção de conhecimentos sobre os agentes de saúde que atendem populações predominantemente ribeirinhas e os desafios nos processos de trabalho - um trabalho com muitas especificidades, cuja produção de cuidado é desafiada, cotidianamente, pelos ciclos das águas. Objetivo: Caracterizar os profissionais que atendem populações ribeirinhas no Brasil, participantes do Programa Saúde com Agente, apresentando os desafios relacionados à atuação profissional. Metodologia: O componente quantitativo é estudo transversal que caracteriza os trabalhadores que atendem população predominantemente ribeirinhas. O componente qualitativo retrata a perspectiva das ACS acerca dos desafios relacionados à sua atuação profissional no atendimento a estas populações, e foi desenvolvido a partir de estudo de campo registrado em diários de campo, gravações de vídeos e captura de imagens, a partir das experiências de visitas in loco realizadas pela pesquisadora. Resultados: Participaram da formação quase 200.000 agentes de saúde, dos quais 619 eram trabalhadores que atendiam população predominantemente ribeirinha, sendo 573 ACS e 46 ACE. A concentração destes trabalhadores ocorre na região Norte (75,6%, p< 0,001). Majoritariamente, são do sexo feminino (71,1%) com tempo de experiência na APS entre 10 e 20 anos (40,9%). Os principais desafios apontados no atendimento às populações ribeirinhas foram as distâncias e os custos dos deslocamentos. Considerações finais: O perfil dos agentes que atendem comunidades predominantemente ribeirinhas é de trabalhadores com grande experiência na APS. Os desafios corroboram com outros estudos, em questões relacionadas com a geografia e o transporte, impactando diretamente o acesso dos trabalhadores para a realização de visitas domiciliares, e o acesso dos usuários às unidades de saúde. Identificaram-se circunstâncias que potencializam as desigualdades sociais, reforçando a necessidade de viabilização de acessos, e a importância do trabalho dos ACS nestes territórios, como formas de avançar para um SUS mais equitativo, garantindo a saúde como um direito constitucional. Aplicabilidade no campo da saúde coletiva: Compreender as diferentes especificidades dos territórios, em especial das populações atendidas, e das equipes de saúde que atuam em diferentes locais é salutar para criação e implementação de políticas públicas efetivas, que contribuam não apenas com o acesso universal à saúde, mas também com a manutenção do cuidado integral à saúde da população. ...
Abstract
Introduction: Dissertation developed from the implementation of the Health with Agent Program (PSA), which offered technical training for Community Health Agents (ACS) and Endemic Disease Combat Agents (ACE) across the country. The emphasis of the research is the production of knowledge about health agents who serve predominantly riverside populations and the challenges in work processes – a job work with many specificities, whose production of care is challenged, on a daily basis, by water cyc ...
Introduction: Dissertation developed from the implementation of the Health with Agent Program (PSA), which offered technical training for Community Health Agents (ACS) and Endemic Disease Combat Agents (ACE) across the country. The emphasis of the research is the production of knowledge about health agents who serve predominantly riverside populations and the challenges in work processes – a job work with many specificities, whose production of care is challenged, on a daily basis, by water cycles. Objective: To characterize the professionals who serve riverside populations in Brazil, participants in the Health with Agent Program, presenting the challenges related to professional performance. Methodology: The quantitative component is a cross-sectional study that characterizes workers who serve predominantly riverside populations. The qualitative component portrays the ACS's perspective on the challenges related to their professional performance in serving these populations, and was developed from field studies recorded in field diaries, video recordings and image capture, based on the experiences of on-site visits carried out by the researcher. Results: Almost 200,000 health agents participated in the training, of which 619 were workers who served the predominantly riverside population, 573 of which were ACS and 46 ACE. The concentration of these workers occurs in the North region (75.6%, p< 0.001). Mostly, they are female (71.1%) with experience in PHC between 10 and 20 years (40.9%). The main challenges highlighted in serving riverside populations were the distances and travel costs. Final considerations: The profile of agents who serve predominantly riverside communities are workers with extensive experience in PHC. The challenges corroborate other studies, on issues related to geography and transport, directly impacting workers' access to carry out home visits, and users' access to health units. Circumstances that increase social inequalities were identified, reinforcing the need to make access viable, and the importance of the work of CHAs in these territories, as ways of moving towards a more equitable UHS, guaranteeing health as a constitutional right. Applicability in the field of collective health: Understanding the different specificities of territories, especially the populations served, and the health teams that work in different locations is beneficial for creating and implementing effective public policies, which contribute not only to universal access to health but also with the maintenance of comprehensive health care for the population. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.
Coleções
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Ciências da Saúde (9249)Saúde Coletiva (210)
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