O Muro da Mauá e a memória das enchentes : 50 anos de contestação à cortina de proteção de Porto Alegre
Visualizar/abrir
Data
2024Orientador
Nível acadêmico
Graduação
Assunto
Resumo
Este trabalho tem o objetivo de refletir sobre a atribuição de novas funções simbólicas ao Muro da Mauá, compreendendo-o enquanto marco de memória das cheias já sofridas por Porto Alegre e alerta vívido de que novas enchentes podem voltar a ocorrer. Busca ainda apontar a vulnerabilidade geográfica e o histórico de enchentes de Porto Alegre; contextualizar o cenário político e social da construção do muro e do sistema contra cheias da capital; e refletir sobre a dinâmica de contestação à estrutu ...
Este trabalho tem o objetivo de refletir sobre a atribuição de novas funções simbólicas ao Muro da Mauá, compreendendo-o enquanto marco de memória das cheias já sofridas por Porto Alegre e alerta vívido de que novas enchentes podem voltar a ocorrer. Busca ainda apontar a vulnerabilidade geográfica e o histórico de enchentes de Porto Alegre; contextualizar o cenário político e social da construção do muro e do sistema contra cheias da capital; e refletir sobre a dinâmica de contestação à estrutura que se deu após o processo de redemocratização. Finalizado em 1974, o Muro da Mauá passou a ser questionado como um obstáculo entre Porto Alegre e o Lago Guaíba, envolvendo questões complexas de cidade, memória coletiva e Patrimônio Urbano e Imaterial. Como não houve ocorrência de cheias significativas em décadas, com o passar de sucessivas gerações, a memória das enchentes sofreu um apagamento. A fim de sanar esse esquecimento, são trabalhados os conceitos de dever de memória, de Manuel Reyes Mate, trabalho de memória, de Paul Ricoeur, pós-memória, de Myrian Sepúlveda dos Santos e Marianne Hirsch, e antimonumento, de Márcio Seligmann-Silva, em perspectiva ética, entendendo que, apenas ao lembrar do passado, é possível atuar para prevenir novas tragédias. Em 2024, quando o Muro da Mauá completou 50 anos, a população foi surpreendida por uma enchente histórica para a qual poderia estar preparada, se tivesse ferramentas para identificar a cortina de defesa como um patrimônio de alerta. Assim, a pesquisa ex-post-facto compreende que, tratado na perspectiva de antimonumento, o muro se tornaria marco de memória incontornável das enchentes já sofridas por Porto Alegre e um sinal de alerta sobre sua vulnerabilidade a cheias. ...
Abstract
This work aims to reflect on the attribution of new symbolic functions to the Mauá Wall, understanding it as a marker of memory of the floods already suffered by Porto Alegre and a vivid warning that new floods could occur again. It also seeks to highlight the geographic vulnerability and history of flooding in Porto Alegre; contextualize the political and social scenario of the construction of the wall and the capital's flood protection system; and reflect on the dynamics of contestation to th ...
This work aims to reflect on the attribution of new symbolic functions to the Mauá Wall, understanding it as a marker of memory of the floods already suffered by Porto Alegre and a vivid warning that new floods could occur again. It also seeks to highlight the geographic vulnerability and history of flooding in Porto Alegre; contextualize the political and social scenario of the construction of the wall and the capital's flood protection system; and reflect on the dynamics of contestation to the structure that occurred after the redemocratization process. Completed in 1974, the Mauá Wall began to be questioned as an obstacle between Porto Alegre and Lake Guaíba, involving complex issues of the city, collective memory and Urban and Intangible Heritage. As there have been no significant floods in decades, with the passing of successive generations, the memory of floods has been erased. In order to remedy this forgetfulness, the concepts of duty of memory, by Manuel Reyes Mate, memory work, by Paul Ricoeur, post-memory, by Myrian Sepúlveda dos Santos and Marianne Hirsch, and antimonument, by Márcio Seligmann-Silva, are worked on from an ethical perspective, understanding that, only by remembering the past, it’s possible to act to prevent new tragedies. In 2024, when the Mauá Wall turned 50 years old, the population was surprised by a historic flood for which they could have been prepared, if they had the tools to identify the defense curtain as a warning asset. Thus, the ex post-facto research understands that, treated from the perspective of an anti monument, the wall would become an unavoidable landmark of the floods already suffered by Porto Alegre and a warning sign about its vulnerability to floods. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Curso de Museologia: Bacharelado.
Coleções
-
TCC Museologia (164)
Este item está licenciado na Creative Commons License
