A simbologia da passagem iniciática nas estórias de João Guimarães Rosa
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Data
2002Orientador
Nível acadêmico
Doutorado
Tipo
Assunto
Resumo
A constatação da presença de mitos, de motivos e de elementos míticos em grande número de obras literárias ensejou, no século XX, a emergência de uma escola de estudos literários que é geralmente identificada como "crítica do imaginário". Observando os pressupostos básicos desse tipo de abordagem ao texto literário, realizou-se uma leitura que objetiva demonstrar a recorrência dos motivos iniciatórios nos contos de João Guimarães Rosa. De acordo com as teses do historiador das religiões Mircea ...
A constatação da presença de mitos, de motivos e de elementos míticos em grande número de obras literárias ensejou, no século XX, a emergência de uma escola de estudos literários que é geralmente identificada como "crítica do imaginário". Observando os pressupostos básicos desse tipo de abordagem ao texto literário, realizou-se uma leitura que objetiva demonstrar a recorrência dos motivos iniciatórios nos contos de João Guimarães Rosa. De acordo com as teses do historiador das religiões Mircea Eliade, os ritos de iniciação ou de passagem sobrevivem, sob forma camuflada, na literatura oral e nos textos de criação individual. Partindo desta hipótese, e considerando-se que a análise das questões referentes à oralidade do texto de Guimarães Rosa demonstra que a narrativa rosiana fundamenta-se na tradição oral, este trabalho se propõe a demonstrar que os motivos iniciatórios constituem um tema recorrente na obra de Rosa. O presente estudo analisa a presença da simbologia da passagem iniciática nas estórias "A hora e vez de Augusto Matraga", de Sagarana; "As margens da alegria", "Seqüência" e "Os cimos", em Primeiras estórias; "Reminisção", "Mechéu" e "Orientação", integrantes da coletânea Tutaméia: terceiras estórias; "Fita Verde no Cabelo (Nova Velha estória)", publicada em Ave Palavra e, por fim, "Páramo", de Estas estórias. Através da análise destes contos, procura-se demonstrar, por um lado, que Rosa, desde seu primeiro livro até suas últimas narrativas, volta-se sistematicamente para os motivos iniciatórios, e, por outro, evidenciar a evolução que o tema em estudo vai recebendo em seu tratamento, à medida que vai sendo retomado. A investigação da trajetória de Augusta Matraga como uma trajetória iniciática, dentre outros aspectos, demonstra que o autor, em Sagarana, realiza a retomada da iniciação de uma forma reiterativa e através de alusões continuadas ao cristianismo e à simbologia alquimica. Os contos "As margens da alegria" e "Os cimos" apresentam-se como atualizações de ritos da puberdade ou rituais de passagem da infância para a vida adulta, enquanto "Seqüência" apresenta-se como uma atualização de um ritual de passagem para o casamento. As narrativas iniciáticas de Tutaméla analisadas nesta pesquisa demonstram em especial o processo de sutilização que o tema da passagem atinge na obra de Rosa. Nas Terceiras estórias, a retomada da passagem iniciática está praticamente restrita à demonstração da transfiguração do sujeito em iniciação. A leitura de "Fita Verde no Cabelo (Nova Velha estória)" ilustra a descoberta da morte como uma experiência que se configura com uma provação iniciatória nos textos de Rosa. Por fim, a análise de "Páramo" revela que, nesta estória, o autor volta a realizar uma explicitação mais demorada dos motivos iniciatórios. Com o estudo deste conto procura-se demonstrar, de modo especial, que essa narrativa pode ser vista como uma síntese da concepção do autor sobre a passagem iniciática. Nesse texto, o tema da iniciação é proposto não só através da descrição da trajetória iniciática empreendida pelo narrador-protagonista, mas também através de uma exposição teórica sobre a passagem. ...
Abstract
In the 20th century, as critics became increasingly aware of the presence of myths and mythical themes in a large number of literary works, a new school of literary criticism, defined by the study of the Imaginary, emerged. By adopting the critical parameters defined by this critical approach, this thesis aims to highlight the recurrence of initiation motifs in the short stories by João Guimarães Rosa. According to the historian of religions Mircea Eliade, motifs associated with rites of initia ...
In the 20th century, as critics became increasingly aware of the presence of myths and mythical themes in a large number of literary works, a new school of literary criticism, defined by the study of the Imaginary, emerged. By adopting the critical parameters defined by this critical approach, this thesis aims to highlight the recurrence of initiation motifs in the short stories by João Guimarães Rosa. According to the historian of religions Mircea Eliade, motifs associated with rites of initiation and passage, although often not immediately apparent, survive in written texts authored by individual authors as well as in oral tradition. With this in mind, and taking into account that an analysis of Guimarães Rosa's writing reveals it to be deeply rooted in oral tradition, this study aims to show that initiation motifs are a recurring feature of Rosa's oeuvre. Thus, this thesis studies symbols associated with rites of passage in the following short stories: "A hora e vez de Augusto Matraga", of the collection Sagarana; "As margens da alegria", "Sequência" and "Os cimos", of Primeiras estórias; "Reminisção", "Mechéu" and "Orientação", included in Tutaméia: terceiras estórias; "Fita Verde no Cabelo (Nova Velha estória)", published in Ave Palavra and, finally, "Páramo", of Estas estórias. In analysing these narratives, the aim is, on the one hand, to prove that Rosa - from his first published work up to his last - was systematically drawn to initiation motifs; while on the other, to highlight how the author's treatment of the theme evolved throughout his work. In foregrounding the process of initiation in Augusto Matraga's trajectory, among other possible interpretations, what emerges is the author of Sagarana's repeated appropriation of the theme of initiation, through continuous allusions to Christian themes and alchemic symbols. The two short stories entitled "As margens da alegria" and "Os cimos" provide a revisitation of themes of rites of puberty, charting the passage from childhood to adulthood, while "Seqüencia" draws on the theme of passage in the experience of marriage. The stories included in the collection Tutaméia, centred around themes of initiation analysed in this thesis reveal Rosa's subtle appropriation of the motif. In Terceiras estórias, the motif is practically only employed to chart the transfiguration of the subject during initiation. The reading of "Fita Verde no Cabelo (Nova Velha estória)" featured in this thesis contends that the discovery of death constitutes an initiatory trial in Rosa's works. Finally, the study of "Páramo" revels how in writing this story the author revisited the theme of initiation in greater depth. In particular, the study of this story aims to show that it can be read as comprising all of Rosa's views in relation to the theme. In this text, Rosa not only describes the narrator protagonist's experience of initiation but also expounds his own theories on the question of passage. ...
Instituição
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Programa de Pós-Graduação em Letras.
Coleções
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Linguística, Letras e Artes (3085)Letras (1894)
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